Estamos Praticando as Disciplinas Espirituais de Forma Errada
Nos dias atuais, muitos cristãos se esforçam para se envolver com disciplinas espirituais, buscando um aprofundamento em sua fé. Práticas como a oração, o jejum, a leitura da Bíblia e a meditação são exemplos dessas disciplinas, que nos conectam mais intimamente com Deus. Contudo, será que estamos fazendo isso da maneira certa?
É comum que as pessoas se enfoquem apenas na execução dessas atividades, tratando-as como tarefas a serem cumpridas. Essa abordagem mecânica pode nos levar a um esgotamento espiritual, deixando de lado a verdadeira essência do que significa se comprometer com a vida cristã. Em vez de um meio de nos aproximarmos de Deus, as disciplinas podem se tornar um fardo.
Um dos maiores enganos é pensar que a frequência na prática das disciplinas espirituais garante um relacionamento íntimo com Deus. A simples repetição de orações ou a leitura apressada da Bíblia não traz, necessariamente, crescimento espiritual. O que precisamos entender é que a intenção e o coração por trás dessas práticas têm um peso muito maior do que a quantidade que conseguimos realizar.
Em Mateus 6:6, Jesus nos ensina sobre a oração: “Mas, quando você orar, entre no seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que está em secreto.” Aqui, Jesus nos convida a buscar um relacionamento sincero e pessoal com Deus, em vez de buscar reconhecimento público. A verdadeira oração é aquela que flui de um coração contrito e desejoso de se conectar com o Criador.
Outra disciplina, o jejum, também pode ser mal compreendida. Muitas vezes, jejuamos pensando na abstinência de alimentos como uma forma de manipular Deus ou mesmo para obter um certo status espiritual. No entanto, Isaías 58 nos lembra que o verdadeiro jejum é aquele que se volta para a libertação e ajuda ao próximo, mostrando que a disciplina deve ter um propósito que reflita o caráter de Cristo.
A leitura das Escrituras deve ser mais do que uma obrigação. É um convite ao conhecimento e à sabedoria. Ao invés de simplesmente passar os olhos pelas palavras, devemos meditar e permitir que a Palavra de Deus transforme nossas vidas. Salmo 119:11 nos ensina: “Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.” A internalização da Palavra traz discernimento e nos guia no caminho certo.
A meditação é outra prática que pode ser deixada de lado ou mal interpretada. Em vez de se concentrar em práticas místicas, devemos meditar nas verdades de Deus, permitindo que suas promessas e ensinamentos penetrem em nossa mente e coração, guiando nossas ações.
Portanto, para não errarmos na prática das disciplinas espirituais, é fundamental que nossas ações sejam motivações que nascem de um profundo amor por Deus e pelo nosso próximo. Precisamos reavaliar nossas intenções e buscar um relacionamento mais autêntico e genuíno com o Senhor.
Em resumo, as disciplinas espirituais não devem ser uma lista de tarefas a serem cumpridas, mas expressões do nosso amor e devoção a Deus. Ao nos voltarmos para a essência dessas práticas, encontramos um caminho que não apenas nos aproxima de Deus, mas também nos transforma à medida que nos tornamos mais semelhantes a Cristo. Que possamos, de fato, praticar as disciplinas espirituais da maneira correta, buscando um relacionamento verdadeiro e transformador.

